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"Não fiz da beleza minha âncora profissional", diz Adriana Araújo
Das Agências
Publicado em :16/06/2014 às 10:13
TAMANHO DA LETRA A A A A
Reprodução
Adriana Araújo

 Considerada uma das jornalistas mais competentes e belas da TV, Adriana Araújo conversou com exclusividade com a CARAS Digital e contou detalhes de sua vida dentro e fora da telinha.

A apresentadora do Jornal da Record ao lado de Celso Freitas relembrou a luta que travou durante 15 anos pela saúde da filha, a saída repentina da bancada com a chegada de Ana Paula Padrão, o período como correspondente internacional em Nova York e Londres, o retorno ao Brasil e a questão da vaidade na TV.

É verdade que sua filha, Giovanna, passou por dez cirurgias em 15 anos? A quais tratamentos ela se submeteu? Hoje ela está bem ou precisará fazer mais intervenções?

Sim. Minha filha nasceu com um problema congênito de má formação óssea. Foram dez cirurgias ortopédicas em 15 anos de vida para corrigir o posicionamento dos pés, da mão direita e, especialmente, para alongar a perna direita, bastante encurtada em relação a outra. Foram dez cirurgias difíceis, dez vezes anestesia geral, dez vezes assinar a papelada assumindo os riscos que toda cirurgia envolve. Toda mãe que já viveu isso sabe a agonia que é. Felizmente, deu tudo certo e 2013 foi o ano mais feliz da minha vida. Foi o ano em que ganhei a minha Copa do Mundo pessoal. Quando o médico me avisou que seria a última cirurgia, chorei muito. Não podia gritar porque estava dentro de um hospital, mas por dentro estava urrando de alegria! Nunca havia contado isso antes. Simplesmente porque meu foco estava 100% no bem-estar e na recuperação dela. Mas, recentemente, numa homenagem que recebi no programaHoje em Dia no Dia das Mães, o assunto veio à tona e foi ótimo. Depois daquela entrevista recebi dezenas de mensagens de mães com filhos que necessitam de tratamentos difíceis, com diferenças físicas e fiz questão de responder uma a uma. Se minha experiência pode ajudar alguém, se minhas palavras podem dar força para alguém, ótimo. É uma maneira de agradecer por tudo que eu e minha filha recebemos. Agradecerei para sempre por ter uma filha tão serena e corajosa, que nunca pensou em desistir.

A Giovanna sempre a acompanhou em seus trabalhos fora do país? Ela chegou a morar com você enquanto era correspondente internacional?

Ela morou comigo um ano em Nova York e depois sete meses em Londres. Em Nova York tivemos casa montada, perto do Central Park. Foi ótimo. Já em Londres foi diferente. Durante sete meses dividimos um quarto de hotel, no meio das malas. Enquanto eu fiz a temporada olímpica, ela ganhou maturidade, independência, conheceu Londres melhor do que eu e se apaixonou. Sempre ajeitei tudo para que o tratamento não fosse interrompido e ela pudesse me acompanhar. Não teria conseguido fazer o meu trabalho se ela não estivesse por perto. E foi um excelente aprendizado para nós duas.

Qual lição de força tirou deste período ao lado da filha no hospital? Chegou a pensar em largar a carreira para ficar mais próxima dela ou a luta de sua filha te impulsionou ainda mais?

De jeito nenhum. Nunca pensei em largar a TV, e nem poderia.  Foi graças ao meu trabalho que consegui arcar com todo o tratamento da Giovanna. Nos dias de cirurgia e também nos períodos de pós-operatório, o stress batia mais forte. Mas, quando começamos o tratamento, traçamos uma linha reta e  seguimos até o fim. Mesmo que a dor fosse forte, mesmo que batesse uma insegurança, um medo, não tinha outra opção. Era  só olhar para frente e pensar no final do tratamento. Nessa caminhada cheguei a ouvir de um médico que deveria amputar o pé da minha filha. Foi terrível. Mas, felizmente, surgiram outros médicos maravilhosos para nos ajudar. Conseguimos, e por isso o fim da jornada foi tão comemorado.

A Giovanna não pensa em seguir a carreira jornalística com tanta influência da mãe?

Não. Ela nunca manifestou esse desejo. Admira minha carreira, mas nesse momento ela pensa em fazer medicina.

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Em algum momento chegou a se incomodar com o fato de ter sido substituída por Ana Paula Padrão no Jornal da Record?

Senti o momento da saída do jornal, porque sempre acreditei no projeto e me dediquei muito ao JR. Mas nunca pela chegada da Ana. Ela recebeu um convite. Assim como eu fui convidada para assumir Nova York. Então, está tudo certo. Sempre esteve. Ao retornar à bancada do JR há um ano, ouvi de algumas pessoas que eu nunca deveria ter saído. Agradeço o carinho mas, na verdade, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Rodei o mundo, participei de grandes coberturas jornalísticas e voltei. E, um ano depois dessa volta, tenho o orgulho de comemorar com o Celso Freitas e toda a equipe o excelente momento que o Jornal da Record vive.

Quando recebeu o convite para retornar à bancada, aceitou de primeira? O que pesou nesta decisão?

Antes de receber o convite já havia tomado a decisão de retornar ao Brasil. A Giovanna tinhas as duas últimas cirurgias para fazer e era a prioridade. O convite veio justo nesse momento. Então, foi fácil decidir.

Como estão os preparativos para as grandes coberturas jornalísticas neste ano, como as Eleições 2014?

A todo vapor. Nesse momento, acontecem as negociações finais para debates, entrevistas, preparação de estúdios, cenários, roteiros. E, como sempre faço, desde que entrei na Record, participarei ativamente desse processo. Em 2002, como repórter da Globo, morei em Brasília, cobri o Congresso e o Palácio e nunca mais me afastei da cobertura política. Essa será minha quarta cobertura de eleições presidenciais.

Depois de todos esse anos na carreira jornalística, quais lições tira para a vida?

Inúmeras, mas vou resumir. Respeito às notícias, às fontes. Prioridade total para a informação. E jamais sucumbir à vaidade. São lições valiosas para seguir nessa profissão. Para a vida, busco aprender sempre, trabalhar com humildade e respeito aos meus colegas. O mundo gira, mas confio que sempre tem lugar nesse mundo para uma jornalista que não se sente mais importante que a notícia.
  
Em mais de 20 anos de profissão, sentiu a evolução do jornalismo televisivo? Na sua opinião, a internet mudou o jornalismo que é feito hoje?

A mudança é inegável. Quando comecei, a internet estava chegando no Brasil. Não existiam portais de notícias, redes sociais, nada disso. Ou seja , foi uma revolução. A cobrança e a pressão aumentaram muito, já que antes era a TV é que dava a notícia na frente. Agora, a internet vem antes. A concorrência é maior. Mas isso é bom porque serve como um grande impulso para cada profissional inovar, buscar novas linguagens. E a responsabilidade tem que ser maior. Não dá para postar boatos, informações incompletas e isso acontece com frequência.

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Como lida com a vaidade de estar na TV? Você é considerando uma das âncoras mais belas da TV...

Você conversou com meu marido? Até onde eu sei ele é o único que diz  isso. Olha, posso dizer que gosto da imagem que vejo no espelho. Mas não fiz da beleza minha âncora profissional. Acredito, sinceramente, que em TV, mais que beleza, o importante é carisma, conexão com o público. E, felizmente, acho que conquistei isso com o tempo.

Você foi uma das jornalistas que fez a primeira entrevista com Dilma eleita. Lembra detalhes deste dia? Quer repetir o fato nas eleições 2014 com o próximo vitorioso(a)?

Claro. Participei ativamente da negociação para que a primeira entrevista fosse para a TV Record. E também fiz o roteiro daquela  entrevista. Então, foi uma noite marcante, histórica para a Record. Participar da cobertura da eleição de 2010 foi a razão da minha volta ao Brasil. Estava em Nova York e quando a disputa presidencial se aproximou não consegui ficar quieta lá e corri para cá. Depois da primeira entrevista com a presidente eleita, cobri todos os passos deDilma Rousseff até o momento da posse, que ancorei ao vivo de Brasília. Sete horas no ar, sem intervalos, sem TP, do jeito que eu gosto. Seria ótimo repetir o feito. Mas temos muito trabalho antes disso.  Os resultados a gente comemora depois.

Assim como Fátima Bernardes, não pensa em seguir em determinado momento para a área de entretenimento? Nunca passou pela cabeça essa possiblidade?

Nunca pensei a respeito, mas adoro programas ao vivo, o improviso, o bate-papo com o público. Nada disso me assusta. Acho que adoraria a experiência, sem jamais perder a conexão com o jornalismo. Quem sabe no futuro.


 
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